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Agro Brasil no eixo geopolítico mundial da Alimentação!

Reunião da ASBRAM reforça que o nosso país é exemplo de ESG faz tempo. Com a Pecuária perseguindo o mesmo caminho, melhorando as pastagens, diminuindo a área de produção, produzindo mais carne, suplementando os rebanhos e aumentando a produtividade com tecnologia e inovação

O Brasil desenvolveu um modelo competitivo de agricultura tropical sem paralelo no mundo, mudando o solo, ‘tropicalizando’ as plantas e criando uma plataforma de produção sustentável. E um dos principais passos futuros é investir na nutrição dos rebanhos para nossa pecuária diminuir a área de produção, aumentar a eficiência, abater animais mais jovens e variar a oferta de nossos cortes e tipos de carne, para lucrar mais no mercado nacional e nas exportações.

O panorama positivo foi desenhado pelo Engenheiro Agrônomo e Doutor em Ecologia Evaristo de Miranda, na palestra ‘O agronegócio é sustentável? Por que e quem sabe disto?’, realizada na última reunião da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM), na capital paulista. Evaristo de Miranda tem mais de 1.400 artigos publicados no Brasil e exterior, escreveu 56 livros, foi pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), implantou e dirigiu três centros nacionais da instituição, é integrante da Academia Nacional de Agricultura da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA) e do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

“Toda a agropecuária brasileira é sustentável. Porque tem gente para consumir, é eficiente e tem resiliência. A Agricultura é mutante e sustentável porque é gigante e diversificada. Exportamos 160 bilhões de dólares no ano passado, para 180 países que confiam na qualidade e sanidade de nossos produtos. Isso coloca o Brasil no centro de um novo eixo geopolítico mundial. O da Alimentação. E usamos uma área de cultivo de apenas 8% do território brasileiro”, justificou Evaristo de Miranda. São vários exemplos de sustentabilidade ao longo dos últimos 50 anos. Plantio direto; uso da palhada; integração lavoura, pecuária e floresta; uso crescente de produtos biológicos; preservação da vegetação nativa como nenhum outro país do planeta; uso de diversos resíduos da produção agrícola como fonte de fertilização, energia e novos materiais.

Na Pecuária, a ‘caminhada verde’ também persevera em seguir mais veloz. Integrar e reduzir a área para produzir com os mesmos rebanhos. Ainda existem muitas áreas de pastagens degradadas no país, mas o pasto de qualidade, rotacionado, intensificado e bem cultivado avança ano após ano, e tem cada vez mais bois. Em 30 anos, o rebanho cresceu 13%, a produção de carne dobrou e a produtividade elevou-se em 150%. “Isso é tecnologia, inovação. Estamos melhorando as pastagens e diminuindo a área de produção. E o que pode melhorar justamente agora? Na minha visão, a Nutrição. Em primeiro lugar. Com a suplementação mineral para revitalizar as carcaças. Depois, sim, as pastagens, o manejo sanitário e a genética. Aí, sim, teremos intensificação na velocidade ideal”, sugeriu Evaristo.

Este trabalho de reforço nutricional de qualidade já vem sendo desenvolvido e comunicado com energia pela ASBRAM. A cartilha ‘ODS e ESG’ explica com detalhes como a entidade está engajada para contribuir com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que orienta as ações transformadoras para que o mundo trilhe um caminho de desenvolvimento sustentável, tendo como base as dimensões ambiental, social e econômica. “Essa frente é clara para a ASBRAM, que foi pioneira no segmento como porta voz dessa mensagem. Nós sabemos que temos muito a contribuir, como também sermos reconhecidos por isso. A cartilha orientadora é mais um passo dado por nossa entidade para ampliar o debate sobre o tema, com a proposta de ‘Conhecer para Mobilizar’. Estamos fortalecendo o comprometimento e a responsabilidade sócio ambiental corporativa do setor de suplementos minerais. Sabemos que é o principal caminho da ASBRAM para fomentar lideranças fortes e visionárias entre todas as suas Associadas”, reforçou veementemente Elizabeth Chagas, Vice-Presidente Executiva da ASBRAM.

As 92 empresas do segmento comemoraram um início de ano mais interessante, com números melhores para a comercialização de suplementos minerais em janeiro e fevereiro. O Painel exclusivo da ASBRAM mostrou que em fevereiro foram negociadas 163 mil toneladas, 8% a mais do que no mesmo mês do ano passado. Em dois meses, a pecuária de corte já consumiu 293 mil toneladas, 3% sobre o período de 2023. E o leite avançou 17%, com 33,4 mil toneladas. “2024 tem a marca importante da virada do ciclo pecuário, com bons sinais para o setor, mas ainda vai ser um período de controle, crescimento econômico moderado no Brasil e no mundo. E o Agro pode ter uma participação um pouco menor no Produto Interno bruto (PIB). Mas as empresas devem centrar sua atuação para doutrinar os pecuaristas de que é momento de investir na área certa em seu negócio. Para obter os melhores resultados. E a boa nutrição dos rebanhos é lição de casa nesse sentido”, analisou Felippe Serigati, do FGVAgro e responsável pelo Painel da ASBRAM.

Evaristo de Miranda encerrou a apresentação na reunião da Associação enaltecendo outros dados sobre o cuidado com o meio ambiente nas propriedades rurais nacionais. Afirmou que quase 34% do território brasileiro são propriedades privadas e dedicadas apenas à preservação. Sem que os proprietários recebam nenhum pagamento. “O Brasil preserva a vegetação nativa como nenhum outro no planeta. E isso custa muito aos donos das terras. As áreas intocáveis valem perto de R$ 3 trilhões. E cuidar delas outros R$ 10 bilhões. Inclusive proteção com armas pela ausência do poder público. Se adicionarmos as reservas de índios, a proteção alcança 56,4% das terras brasileiras. Com as áreas de parques federais, estaduais e municipais, terras pertencentes ao Governo Federal, Estados e Municípios, o país mantém intactos 66,3% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados na nação”, concluiu o pesquisador. “Agora, a eficiência diminui a necessidade de desmatar. Melhora o uso de resíduos. Produz mais. Lucra mais. E a inovação em ESG não pode parar. Afinal, quem está no vermelho não investe no verde”, concluiu Evaristo bem humorado.