Andança | Capítulo 2 – Bairro dos Mirandas

Na semana que passou, deixei São Paulo mais uma vez, como faço há 16 anos, com destino à Belém, no Pará.
Na minha memória, ainda pulsa a primeira vez que encarei o Norte, em 1990, viajando pelo interior do Pará, cruzando o Rio Gurupi para chegar ao Maranhão. Foi quando vi a Floresta Amazônica pela primeira vez.
Era um Brasil que eu desconhecia. E um Brasil, eu dizia na época, que o Brasil também não conhecia.
Até hoje percebo que a minha reflexão naquele período continua sendo muito verdadeira. Por outro lado, é muito bom constatar que o Brasil melhorou . Os aeroportos do Norte, como o de Belém, por exemplo, foram reformados e hoje o visitante encontra uma infra-estrutura moderna, de padrão internacional.
A mesma viagem de carro, num percurso de 45 km ao sul de Belém, 16 anos atrás consumia quase hora e meia. Hoje, gasta-se a metade. Nosso Brasil é imenso e as diferenças regionais saltam aos olhos de quem tem a oportunidade de percorrer o país.
Chegando aqui mais perto da gente, eu me lembro dos tempos difíceis, embora maravilhosos, da época em que eu morava no Bairro dos Mirandas.
Das estradas intransitáveis do município, das enchentes do varjão ali perto da casa onde meu pai mora até hoje, da uma hora de caminhada para pegar o ônibus e ir estudar no Grupo, em Porangaba. Dos dias de chuvarada que dobravam esta caminhada até a Castelo Branco, já que ali perto da venda do Joaquim Roque, na estradinha de terra, nem o ônibus da viação São Jorge passava.
Assim como no norte do Brasil, as coisas por aqui também melhoraram. É muito bom ver as pessoas do
sítio serem atendidas lá mesmo, perto de suas casas, em coisas simples, como um corte de cabelo ou um check-up básico de saúde.
Hoje, as estradas estão sempre em ordem, as longas caminhadas em busca do São Jorge já não são mais necessárias, já que os estudantes têm condução na porta de casa. Quem precisa fazer “arranjos” na cidade pode contar com condução de ida e volta para o comércio todas as sextas-feiras, entre tantas outras facilidades. Ter saudade dos tempos antigos, como dizem os mais velhos, é permitido e é saudável, mas que a vida tá muito melhor, ah, isso tá!

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