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Anpii promove 1º Workshop de Inteligência de Mercado

A Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes, a ANPII, realizou em Campinas (SP), no fim de fevereiro, o 1º Workshop de Inteligência de Mercado, reunindo quase centena de profissionais e executivos ligados ao setor dos inoculantes e institutos de pesquisa do Brasil. É uma nova jornada da entidade, que deseja fomentar ainda mais os debates internos e a exposição do trabalho tecnológico realizado ao mercado neste ano. E é um mercado que avança e auxilia a eficiência da lavoura nacional nas últimas décadas. A Associação já acumula 26 empresas associadas e acaba de anunciar que o segmento comercializou mais de 141 milhões de doses no ano passado. Um volume de em 2023. Quase R$ 442 milhões negociados e avanço de quase 17%. Tudo a favor do Agro Biológico e Regenerativo do Brasil, nas diversas culturas agrícolas, principalmente em soja, milho, cana, trigo e feijão.

“Temos vários projetos para este ano, com workshops, intensificação do ensino à distância, participação em eventos, novos parceiros e programas. Tudo para unir ainda mais a cadeia produtiva e comunicar à sociedade o trabalho de eficiência e tecnologia que fazemos para o Agronegócio brasileiro e mundial”, ratificou Larissa Simon, Assessora Executiva da anpii. O workshop ainda sacramentou uma ideia que demove vários mitos que envolvem a utilização de soluções biológicas e químicas. “O cenário não é de substituição, mas de adição. Há aumento na utilização de produtos biológicos sem diminuição do uso de fertilizantes químicos. E sem aumento nos custos de produção. Tanto na lavoura como no tratamento de sementes. A questão é que o produtor quer diminuir custos, usar menos produtos e com a mesma eficiência. É um dos nossos desafios”, explicou o consultor José Roberto de Castro, profissional com mais de trinta anos de experiência no segmento.

Os inimigos são vários. As condições climáticas, pragas, nematóides, cigarrinha do milho, complexa variedade de temperatura, chuvas, topografia, microclima, etc. A estratégia precisa ser cada vez mais robusta. “São muitas situações distintas. Que envolvem substituição, uso combinado, utilização de cada solução de acordo com o benefício ambiental e lucrativo. E a substituição em casos onde há simplesmente o banimento da tecnologia química. “Realmente, não vivemos mais a Era dos Químicos. Afinal, são 15 anos para este setor desenvolver novas moléculas, que até são menos poderosas no controle das pragas. E tudo custa muito dinheiro”, reforçou o consultor José Roberto de Castro.

E mais. A batalha biológica atual requer a luta contra o achatamento de preços. Com inúmeras estratégias. “Temos que valorizar a entrega de mais e mais serviços. Assistência, misturas, formulações, etc. Baixar a pressão dos alvos de controle, com complementariedade do manejo recomendado”, apontou Lars Schobinger, um especialista em sementes. Mas também comemora bons resultados. Como o crescimento expressivo na cana de açúcar e as perspectivas das novas tecnologias em sementes, manejo foliar e fitopatológico. “São caminhos que exigirão uma intensificação cada vez maior. Avançar em microbiologia, genética, saber mais sobre bactérias, bacilos, pragas. Além de um trabalho conjunto com as autoridades regulatórias”, citou Anderson Nora, da 5P2R Marketing de Precisão. “E um olhar muito atento para as inúmeras condições de clima, temperatura, chuvas, solos do território brasileiro. Para podermos sermos assertivos na ação dos produtos tecnológicos no campo”, acrescentou Carin Lausmann, da Blink Projetos Estratégicos.

E esse campo é positivo. Os inoculantes biológicos crescem acima de 15% ao ano desde 2009.Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Goiás são os estados que lideram o uso. “Os insumos biológicos vêm ganhando força no campo como alternativas aos insumos tradicionais, com várias finalidades e benefícios, como o de suprir o nitrogênio através da fixação biológica de N, a solubilização de nutrientes, como o fósforo presente nos solos, mas indisponível para as plantas, e a promoção de crescimento, através da liberação de fitohormônios pelas bactérias do bem”, explicou Solon Cordeiro de Araujo, diretor executivo da ANPII.

A inoculação de bactérias benéficas é uma técnica que oferece muitas vantagens, já que são empregados microrganismos naturais que tornam a agricultura nacional cada vez mais sustentável econômica e ambientalmente. Os tradicionais inoculantes biológicos baseados em bactérias do gênero Bradyrhizobium representaram 57,4% das vendas levantadas em 2022, mas outros produtos mais novos no mercado como Azospirillum e Pseudomonas já responderam por 38,6% do valor todas das vendas no Brasil, mostrando que a inovação não para no setor.

Quando se trata das culturas mais beneficiadas, a soja lidera a utilização com 81,8% do valor das vendas. Já o milho corresponde a 11,5% e a cana vem na sequência com 2%. Além dos bons resultados nessas culturas, os inoculantes têm se mostrado poderosos aliados em outras lavouras, como trigo e feijão. A pesquisa oficial registra uma média de 8% no aumento da produtividade, com a reinoculação, ou seja, utilização de inoculação em todas as safras, com bactérias do gênero Bradyrhizobium”. Na cultura da soja, a mais importante no Agro nacional e mais tradicional no uso dessa tecnologia, de acordo com dados coletados por institutos de pesquisa, os inoculantes foram adotados em mais de 80% da área plantada na safra 2022/2023. Já a coinoculação ficou entre 35% e 40% da área da cultura em território brasileiro. No caso do milho da safra principal, os inoculantes biológicos chegam a mais de 22% da área plantada, com avanço gradual a cada ano. “O uso desses biológicos no milho tende a crescer ainda mais nas próximas safras, uma vez que recentemente houve recomendação da Embrapa da possibilidade de redução de até 25% dos fertilizantes químicos nitrogenados utilizados na cultura, com a implementação de inoculação com Azospirillum, após mais de 10 anos de condução de trabalhos científicos, nas mais importantes áreas produtivas da cultura no Brasil”, complementou  Solon, apontando para um cenário ainda mais promissor quando se trata do mercado de inoculantes biológicos em gramíneas.

 

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