Confina Brasil caminha para última semana

Após superar a expressiva marca de mais de 1 milhão de bois visitados, expedição segue para a conclusão da coleta dados da pecuária intensiva brasileira.

Depois bater a marca inicial de 1 milhão de bois mapeados na última semana, o Confina Brasil deu mais um passo importante. A expedição, que já concluiu a coleta de dados em São Paulo e Mato Grosso do Sul, finalizou também os trabalhos em Mato Grosso e segue agora para a última semana, passando por Goiás e Minas Gerais.

Durante os últimos 19 dias em Mato Grosso, a expedição visitou cerca de 40 confinamentos. Atualmente, o estado é o dono do maior rebanho bovino do Brasil, com mais de 30 milhões de cabeças, segundo últimos dados oficiais do IBGE, o equivalente a quase 14% da boiada produzida no território nacional.

Uma característica vista pelos técnicos do Confina Brasil é que os pecuaristas mato-grossenses estão começando a explorar a diversificação do confinamento. Ou seja, utilizando a estrutura não somente para a terminação em si, mas também para a fase de recria. “Os produtores estão entendendo que na seca o gado perde desempenho e precisa de suplementação e outras fontes nutricionais. É aí que os animais são levados para o confinamento, principalmente para facilitar o manejo”, diz Olavo Bottino, médico veterinário e diretor técnico do Confina Brasil.

Com a recria intensiva, o produtor desmama o bezerro e os direciona para o confinamento com uma dieta específica para o crescimento deste animal. Com isso, o manejo torna-se muito mais ágil. Outra forma de explorar o confinamento é a produção das “precocinhas’’, fêmeas desafiadas a emprenharem antes dos 14 meses. “Essa categoria exige extrema atenção e um acompanhamento muito próximo. Com as fêmeas no confinamento, o produtor consegue oferecer uma dieta balanceada, para assim atingir mais facilmente os resultados desse desafio de emprenhá-las tão jovens”, destaca Bottino.

Alguns produtores no Estado também estão utilizando o confinamento como ferramenta importante na IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo). Fazem o procedimento com as fêmeas já na criação intensiva para assim ter mais facilidade de manejo, evitando o estresse e o deslocamento dos animais entre as baias e os currais. “Nós vimos que, com o acompanhamento de perto, o resultado é positivo e aumenta a importância do uso do confinamento como ferramenta de auxílio na produção como um todo”, ressalta o médico veterinário.

Logística em progresso
Recentemente os produtores, principalmente das regiões norte e médio-norte de Mato Grosso, comemoraram a conclusão da pavimentação da BR- 136 que liga o estado ao porto de Miritituba, no Pará. Após 43 anos, o sonho de nunca mais ver longas filas de caminhões atolados, motoristas parados há dias (e até semanas) na estrada, parece que finalmente se tornou realidade.

Cruzando praticamente todo o Estado, a equipe do Confina Brasil viu de perto essas melhorias nas estradas e rodovias locais. “Nós não vimos a logística como um impasse ou ponto negativo devido à falta de infraestrutura nas estradas. Pelo contrário, nós vimos um progresso em Mato Grosso, ao ponto de escutar informações sobre o planejamento de ferrovias para o transporte de grãos e das rodovias que estão sendo asfaltadas com bons materiais”, diz o diretor técnico.

Para Felipe Dahas, médico veterinário e responsável pela aplicação do questionário nas fazendas visitadas, a equipe viu o progresso de modo geral no estado. Muitos agricultores estão fazendo uma força tarefa junto ao governo para que essa infraestrutura de melhorias de estradas e rodovias chegarem até a porteira de suas fazendas. Além disso, há avanços com a construção de novas pontes de concreto, substituindo as antigas estruturas de madeira, já defasadas. “É um estado enorme e que ainda tem muitas áreas que precisam de infraestrutura, contudo, na nossa percepção, conseguimos “enxergar o copo meio cheio”, observando com otimismo o progresso que está acontecendo”, diz ele.

A equipe também identificou que as cidades com baixa população estão investindo em grandes infraestruturas, como estradas, novas pontes e melhoria da logística de modo geral. “Mato Grosso está mostrando o seu potencial. Um estado de baixa população e alta riqueza”, finaliza Dahas.

A expedição continua
A equipe do Confina Brasil segue para as últimas visitas aos confinamentos de Goiás e Minas Gerais com as duas equipes a campo simultaneamente. A expedição tem patrocínio da BB Seguros, Boehringer Ingelheim, John Deere, Nutron/Cargill e UPL. Além disso, o projeto conta com o apoio institucional da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Unesp Jaboticabal, Hospital de Amor de Barretos e a Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), entidade que representa os confinadores de gado de corte e demais integrantes da cadeia produtiva da carne bovina.

Todas as informações da rota são atualizadas diariamente no Instagram @confinabrasil e no site do projeto www.confinabrasil.com.

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