Falta de políticas públicas impede acesso de produtos brasileiros à UE

O especialista em política agrícola e alimentos, Jogi Humberto Oshiai, afirmou durante o XXVII Congresso Brasileiro de Zootecnia – Zootec 2017 que a falta de políticas públicas impede o acesso de produtos do agronegócio brasileiro ao mercado europeu, que possui cerca de 500 milhões de habitantes.

Segundo ele, o setor de proteína animal carece de políticas eficazes em sanidade. “A União Europeia, mercado com alto poder aquisitivo, exige garantia sanitária severa para resguardar sua população de episódios como o da carne fraca”, afirma.

Para Oshiai, as recentes irregularidades descobertas em alguns frigoríficos mostram que a certificação sanitária ainda possui falhas.

Ele lembrou que em 2016 o Brasil atingiu mais de 90% da cota Hilton pela primeira vez em mais de dez anos. “A saída para o Brasil é qualidade e não quantidade. As commodities são importantes, mas é preciso agregar valor aos produtos, pois o agronegócio ainda é a locomotiva da economia brasileira”, avalia o especialista.

A cota Hilton estabelece um volume limite de exportação de cortes de alta qualidade, provenientes de alguns países credenciados, para a União Europeia (UE). No caso do Brasil, a cota é de 10 mil toneladas.

Josi Oshiai é diretor para assuntos públicos do escritório Fratini Vergano Advogados Europeus em Bruxelas, Bélgica. Foi diretor de comércio da América Latina para União Europeia (UE), conselheiro econômico e social da Embaixada do Brasil em Tóquio (Japão) e do Instituto de Resseguros do Brasil em Londres e UE.

Por Renato Ponzio Scardoelli – Grupo Publique