Marfrig reduz prejuízo líquido de suas operações no trimestre

A Marfrig Global Foods, uma das maiores empresas do mercado de proteína global, diminuiu sua perda trimestral em R$ 573 milhões, registrando um prejuízo líquido de suas operações continuadas de R$ 170 milhões no período. Os resultados foram apresentados nesta sexta-feira (11/11) durante a teleconferência de resultados que contou com a participação do presidente do Grupo Publique Carlos Alberto da Silva. Sobre o plano de investimentos no Brasil, conforme questionou o presidente da Publique, os representantes da Marfrig responderam que todas as plantas são praticamente novas e que os investimentos são focados em manutenção e, principalmente, na questão de economia de energia, que é um custo importante para a empresa.

Segundo a Marfrig, mesmo em um cenário ainda adverso de mercado no Brasil, a empresa gerou fluxo de caixa livre positivo de R$ 39 milhões graças ao seu programa de liability management e aos sólidos resultados da Divisão Keystone. “Nossa disciplina financeira e o sólido desempenho da Keystone nos permitiu reduzir substancialmente o prejuízo da Companhia, num momento desafiador do mercado bovino”, resume o CEO da Marfrig Global Foods, Martín Secco.

No terceiro trimestre de 2016, a Marfrig Global Foods apresentou uma receita de R$ 4,4 bilhões versus R$ 5,1 bilhões no mesmo período no ano anterior. A apreciação do real, o menor volume de vendas da operação brasileira e o reduzido patamar nos preços das commodities contribuíram para o resultado. O lucro bruto foi de R$ 487 milhões, atingindo uma margem bruta de 10,9% – redução de 50 pbs em relação ao terceiro trimestre de 2015.

A Divisão Keystone, que está entre as líderes globais na produção de alimentos processados de origem animal, ajudou a mitigar o cenário desafiador do mercado de bovinos. A Keystone registrou pelo terceiro trimestre consecutivo crescimento de dois dígitos do seu EBITDA ajustado, que saltou de US$ 53 milhões para US$ 60 milhões, um crescimento anual de 16% explicado por uma melhora nas margens nos EUA, recuperação nos preços de produtos de frango no mercado internacional e um volume robusto de negócios na região da APMEA (Ásia, Pacífico, Oriente Médio e África, na sigla em inglês), com expansão de dois dígitos na Austrália e Malásia. A margem EBITDA ajustada foi de 8,7% no terceiro trimestre deste ano versus 7,6% no mesmo período do ano passado – um ganho de 110 pbs.

Os números favoráveis da Keystone compensaram parcialmente o já conhecido cenário desafiador para a Divisão Beef da Marfrig Global Foods. No caso do EBITDA ajustado da Marfrig como um todo, dos R$ 341 milhões gerados no terceiro trimestre, 59% foram entregues pela Keystone.

A Divisão Beef, no terceiro trimestre, optou por uma estratégia comercial de retenção do volume de exportação durante julho e agosto, buscando uma melhora nos preços de venda. Com isso, observou-se uma retração no volume de vendas, receita e EBITDA. Os benefícios dessa estratégia começaram a ser capturados nas vendas de setembro, cujos resultados deverão ser refletidos a partir do 4º trimestre. No mercado doméstico, por outro lado, houve um crescimento de volume de 4% em relação ao terceiro trimestre de 2015. O EBITDA ajustado foi de R$ 139 milhões no terceiro trimestre, um recuo significativo na comparação com o mesmo período do ano passado.

 Melhora no ciclo

Após um trimestre difícil, o cenário brasileiro de curto prazo terá, na visão da Companhia, viés de recuperação. Espera-se estabilidade no custo do gado, ainda que em patamar elevado, e uma recuperação dos preços de exportação dado o limitado crescimento de oferta a nível global.

“Nossa expectativa é de que a recuperação das margens de bovinos, vista ao final do 3º trimestre, aliada à continuidade dos sólidos resultados da Keystone, faça com que o quarto trimestre seja um dos melhores do ano”, diz Secco.

 Estratégia de crescimento

Uma das prioridades será a aceleração do crescimento nos mercados norte-americano e asiático, pela expansão de food service da Keystone através dos investimentos programados e já iniciados em 2016, como por exemplo a nova planta na Tailândia, aumento de capacidade na Malásia, China e Austrália, e diversificação da base de clientes a nível global.

Espera-se também que a demanda por proteína bovina brasileira continue a crescer. E, em um mundo carente de carne bovina e com outros produtores enfrentando dificuldades para atender à demanda global, a tendência é de abertura de mais mercados para o produto brasileiro, suportado pela estratégia do governo através da atuação do Ministério de Agricultura, o qual recentemente visitou diversos países nos quais a Marfrig já possui operações.

 

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