Mercado futuro reage, mas segue sem sustentação

Alisson Freitas, do Portal DBO

Um dos principais agentes no planejamento dos pecuaristas que terminam seus animais no cocho, o mercado futuro segue com alta volatilidade. Depois da arroba com entrega para outubro cair mais de R$ 10 em menos de uma semana em meados de junho, os preços voltaram a reagir, alcançando pico de R$ 129,2/@ na B3 (Bolsa, Balcão, Brasil), na tarde desta quarta-feira, 12 de julho.

De acordo com Douglas Coelho, analista da Radar Investimentos, a retomada se deve a um ajuste de mercado após o setor se recuperar parcialmente dos baques causados pela Operação Carne Fraca, delação da JBS e suspensão das importações pelos EUA. Os escândalos fizeram com que a arroba para outubro registrasse o seu pior patamar no ano em 21 de junho: R$ 118,6.

“O mercado futuro reflete a situação naquele momento. O preço de R$ 118,6 para outubro não tinha nenhum equilíbrio e só era justificado pelas incertezas do mercado. Quando o setor conseguiu se reequilibrar, os preços reagiram”, destacou o analista, ressaltando que antes da deflagração da Operação Carne Fraca, em 17 de março, a arroba para outubro estava cotada em R$ 146.

Coelho acredita que ainda há espaço para uma correção maior nas cotações, no entanto afirma que é impossível prever como o mercado irá reagir nos próximos meses. “Novas oscilações devem acontecer, ainda existem pendências a serem resolvidas: a situação da JBS ainda não foi decidida; o Brasil ainda não prestou os esclarecimentos à União Europeia; e os EUA ainda não suspenderam o embargo”, concluiu.

Com as indefinições de preço, o analista observa o crescimento da aquisição de contratos de opções, ferramenta que garante ao pecuarista o pagamento do preço mínimo estipulado por ele mesmo.

Confinamento – Já para o gerente técnico da Associação Brasileira dos Confinadores (Assocon), Bruno de Jesus Andrade, a reação de preços para entrega futura está relacionada à expectativa de queda no confinamento.

“Quando a arroba caiu a menos de R$ 120, a conta do confinamento não fechava e expectativas de queda da atividade se intensificaram. Com isso o mercado passou a prever uma queda na oferta de animais para outubro e os preços voltaram a subir”, destacou.

De acordo com expectativas da Assocon, o confinamento no Brasil deve crescer 15% em 2017, com 3,6 milhões de cabeças terminadas no cocho. No entanto, Andrade ressalta que esse número ainda deve sofrer novas alterações, provavelmente para baixo, até o último trimestre. As projeções da entidade no inicio do ano apontavam para crescimento de 25%, representando 4 milhões de cabeças confinadas.

Já em relação a preços, o executivo acredita que a arroba para outubro deve se manter entre R$ 127 e R$ 130 nos próximos meses.

Fonte: Portal DBO

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com