One Agro 2023 é produção crescente e sustentável

Mais de 1,2 mil profissionais que atuam no Agronegócio brasileiro. Representando 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do segmento, 1/3 da área total cultivada no país e metade dos lavradores que atuam no Cerrado. Foi a marca do primeiro dia da 4ª edição do One Agro, evento organizado pela Syngenta Proteção de Cultivos em Campinas (SP), no Hotel Royal Palm. Sob o tema ‘Agro Protagonista, Estratégico e Sustentável’, os principais líderes da cadeia produtiva, autoridades e especialistas do setor debatem e traçar caminhos para um setor ainda mais produtivo, sustentável e tecnológico, em um momento ímpar do mundo, marcado por múltiplas crises, uma complexa geopolítica e pressões econômicas, sociais e ambientais.

O evento foi aberto pelos diretores da Syngenta André Savino ( Synap) e Luciano Daher (Comercial) . “Temos safras recordes em todas as culturas há anos e o produtor é um trabalhador incansável. Nosso objetivo é apresentar palestras e painéis que ajudem os atores da cadeia produtiva a entendermos como nos posicionar corretamente e construir estratégias para a nova agricultura”, explicou Savino. “E nossa expectativa para 2023 não poderia ser melhor. Permaneceremos sendo um agro-protagonista, estratégico e sustentável. Tendo a inovação, produtividade crescente e a transformação como elementos essenciais”, concordou Luciano Daher .

Desde a primeira edição, em 2019, o One Agro marcou o cenário do agro. Na primeira, um marco importante foi a criação do ‘Compromisso One Agro’ e do ‘Conselho One Agro, iniciativas que incentivaram e viabilizar a evolução do setor por meio de ações concretas e estratégicas. Naquele ano, o tema foi ‘Grandes líderes por um grande agro’. Em 2021, ‘Juntos, líderes cultivando inovações’, numa edição virtual. No ano passado, o tema foi ‘Grandes líderes conectados em um mundo em evolução”.

Na sequência, foi exibido um depoimento do Ministro da Agricultura e Pecuária (MAPA), Carlos Fávaro, direto de Brasília. O ministro voltou a reforçar que as eleições presidenciais ficaram para trás, que o atual governo está viabilizando mais crédito para o Campo e reconhece o trabalho do produtor rural, pelos resultados e pelo respeito às leis e ao meio ambiente. “Tenham a certeza de que as recomendações que recebo do Presidente Lula é de ajudar os fazendeiros e promover toda a cadeia em todos os países”, justificou Fávaro.

Depois, três executivos globais da Syngenta recepcionaram os participantes. “O Agronegócio brasileiro vai permanecer como um dos pilares da economia, uma verdadeira potência, com capacidade e larga escala. Estaremos com vocês produtores em todos os momentos dessa jornada”, garantiu Juan Pablo Llobet, Diretor Geral da Syngenta para a América Latina.  “Investimos dois bilhões de dólares por ano em pesquisas e desenvolvimento. O Brasil é a chave para o mundo ter mais alimentos. E mais baratos. Lideramos ações como o ‘Projeto Reverte’, que está recuperando um milhão de hectares usando o sistema de Integração. É o avanço da agricultura regenerativa. E o Brasil vai ser a maior potência agrícola do mundo”, saudou Erik Fyrwald, CEO Global da Syngenta.

 “Há incertezas, mas os produtores rurais no mundo inteiro estão dispostos a plantar. E sustentabilidade anda junto da produtividade. É para o Brasil caminhar nesse sentido. Essa é a meta”, apontou Jeff Rowe, Presidente Global da Syngenta Proteção de Cultivos. Outro depoimento gravado do dia foi de Paul Polman, líder empresarial, ativista do clima e da igualdade. Ele elogiou os temas debatidos no ‘One’ e a iniciativa da Syngenta em fomentar ações em nome da sustentabilidade e do combate à fome. “É animador vermos que existem corporações e países que trabalham para resolver esses problemas tão urgentes”, completou.

Antes de começar o primeiro painel do evento, quem subiu ao palco foi o cientista Rattan Lal, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2007 e do Prêmio The World Food Prize 2020, que abordou exatamente o tema do One Agro deste ano. Ele iniciou a apresentação citando a revolução produtiva vivida pelo Cerrado do Brasil como um dos fenômenos mundiais mais espetaculares da história da humanidade. Porém, advertiu sobre a rapidez que é necessária para o mundo aumentar com mais vigor a produtividade agrícola e garantir a segurança alimentar. “Temos que ficar atentos às mudanças climáticas, à emissão de gases de efeito estufa e a revolução digital. E o Brasil está bem posicionado para essa transição. Mas também precisa ajudar com tecnologia regiões do planeta que ainda não são eficientes no plantio, como a África. O mundo precisa usar menos recursos, como água, energia e terra. E ainda preservar áreas para a natureza selvagem. Mas, ao mesmo tempo, multiplicar muitas vezes a produtividade quando o assunto for alimentar 10 bilhões de pessoas. Usando menos áreas. Isso, combinado com o fim do desperdício por causa de má distribuição, deve ser o norte para termos um planeta mais saudável”, sentenciou.

Começou, então, o painel ‘O Agro protagonista”, com participação de Antonio Carrere, CEO da John Deere, Flávio Souza, CEO do Itaú BBA, e Alexandre Schenkel, Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, que trataram sobre a visão do agro, a visão financeira do Brasil e a visão do cliente. A última palestra coube a Tânia Consentino, CEO da Microsoft. Para ela, a velocidade das mudanças está aumentando as diferenças sociais no planeta inteiro. Justamente por isto, a tecnologia deve ser vista como um poderoso instrumento de democratização do conhecimento e de acesso a uma vida mais rica e participativa. “Para isso, investimos bastante no engajamento de nossos 220 mil colaboradores, ajudamos as comunidades onde atuamos e firmamos um compromisso sério com a sustentabilidade. E abraçamos com energia novas possibilidades de uso da Inteligência Artificial. É um tema que, na verdade, vem sendo pesquisado desde os anos 1950, sempre objetivando copiar o jeito de pensar do cérebro humano. E olhamos para ele num único sentido: beneficiar toda a sociedade, dar poder a cada pessoa e cada organização do planeta a conquistar mais. Precisa ser inclusiva”, contou.

Tânia também enfatizou outras jornadas abraçadas pela Microsoft. Olhar para a IA e o GPT como agentes de criação, textos, imagens, conversação, entendimento e interação. Nunca tirar do alvo a questão da Ética, e da segurança, principalmente no caso de dados próprios com informações das nuvens. “O poder do uso da IA é infinito. E justifica estarmos no mundo com patentes, artigos publicados, mais de mil pesquisadores, trabalhando para ser a maior empresa de IA do mundo. E nossas ofertas já são claras, ainda mais no Agro. Um setor que é taxado de participar com 26% do total das emissões de CO2. Nossos sistemas já estão nas lavouras, voando em drones, melhorando os equipamentos e programas para melhor transmissão de dados, rastreabilidade total e barateamento de milhões e milhões de sensores colocados em animais, plantas, no solo, no ar, nas matas, etc.”, finalizou.

O One Agro 2023 prossegue nesta quarta-feira, com os painéis ‘O Agro Estratégico’, mediado por Alexandre Mendonça de Barros, da MBA Agro Consultoria, e ‘O Agro Sustentável’, conduzido pela jornalista Sonia Consiglio.