Desafios da reposição em véspera de virada de ciclo

Com oferta restrita, os preços dos animais sobem, dificultando a decisão do pecuarista; ali na frente o ciclo pode virar

Alisson Freitas

Dono do maior rebanho bovino do País, Mato Grosso teve redução de 15,22% no abate bovino em dezembro de 2015, em relação ao mesmo período de 2014. De acordo com relatório do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o principal fator que puxou essa queda é a recomposição do rebanho, por meio da retenção de fêmeas. A movimentação porém não é restrita ao MT e tem acontecido em todo o País

A retenção de matrizes é um dos fatores que indicam a proximidade da virada do ciclo pecuário, que muitos pecuaristas acreditam que pode acontecer em 2017. Com a atual oferta restrita, os preços dos animais sobem e o pecuarista tem que quebrar a cabeça para realizar o planejamento da reposição de seu rebanho.

Um dos dilemas da reposição é em qual categoria investir. No caso de boi magro, a categoria é mais cara, porém os animais serão abatidos mais rápido e é possível aproveitar os atuais preços de mercado. Já nos bezerros, os preços são “menores”, mas, como os animais levam mais tempo para se tornarem bois gordos, o produtor pode não encontrar a mesma remuneração de hoje e deparar-se com um ciclo de baixa na hora de vender.

Segundo Rogério Goulart, analista de mercado e pecuarista da região sudeste do Mato Grosso do Sul, a bola da vez deve ser o boi magro. “Os preços caíram no último trimestre do ano passado e em algumas praças é possível encontrar boi magro por menos de R$ 1.900, o que pode ser uma boa oportunidade; afinal, a ração está cara, é mais rápido engordá-lo do que a um bezerro”, avalia.

Outro importante componente do cálculo deve ser a oscilação de preços que o setor deve enfrentar ainda neste ano. “A atividade está atrelada à economia do País e os preços devem sofrer alterações, mas ainda não sei se vão para cima ou para baixo”, acrescenta Goulart.

Para Sergio De Zen, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o pecuarista deve ter na ponta do lápis o custo para transformar um boi magro em boi gordo. “Com esse cálculo em mãos, a melhor coisa que o pecuarista pode fazer é travar a arroba no mercado futuro assim que encontrar uma margem confortável. Para quem faz recria, é necessário encurtar ciclos, cortar o maior número de gastos possível. Se o ciclo virar, o produtor deve estar preparado para uma queda de 20 a 30% no preço da arroba”, conclui.

Fonte: Portal DBO

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