Pecuaristas paraenses se unem para criar a ACRIPARÁ

Pouco rentável no passado, a pecuária paraense ocupa, atualmente, lugar de bastante expressão econômica no Estado. Responsável por um rebanho de, aproximadamente, 21 milhões de cabeças, essa atividade constitui a principal fonte de renda, em vários municípios paraenses, mostrando-se viável, tanto, para os grandes proprietários, como, também, para os pequenos.

O Estado possui o 5º maior rebanho bovino do País, atrás apenas do Mato Grosso (13,6%), Minas Gerais (11%), Goiás (10,2%) e Mato Grosso do Sul (9,9%).

Com o objetivo de aumentar a representatividade dessa importante atividade, cerca de 200 pecuaristas e produtores rurais participaram da assembleia de fundação da Associação dos Criadores do Estado do Pará (Acripará), realizada no dia 8 de abril, na sede do Sindicato dos Produtores Rurais de Marabá, no sudeste do Estado.

De acordo com o presidente Maurício Fraga Filho, a Acripará seguirá o modelo da Associação dos Criadores do Mato Grosso (Acrimat), e irá atender demandas dos pecuaristas locais.

Veja abaixo entrevista com o executivo:

Qual a importância da pecuária de corte para o Estado do Pará?

Fraga: A pecuária de corte, talvez, seja a única atividade produtiva que exista, em grande escala, nos 144 municípios do Estado. Então, é uma atividade muito importante, tem uma série de demandas, e, por conta disso, estamos criando uma associação para atender os anseios desses pecuaristas.

Qual o formato de entidade que vocês pretendem adotar na Acripará?

Fraga: Acreditamos que o modelo desenvolvido pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) tem funcionado muito bem, com proatividade, recursos e trabalho sério pela pecuária. Eles possuem um fundo proveniente de uma porcentagem do dinheiro arrecadado nas Guias de Trânsito Animal (GTA) e, usam esse capital para desenvolver suas ações. A primeira providência a ser tomada é tentar conseguir, junto ao Governo do Estado, a criação de um fundo similar ao da Acrimat. A Acrimat, inclusive, tem interesse em criar associações irmãs, e a primeira é a Acripará. No futuro, a idéia é criarmos a associação nacional.

Qual a importância de se ter uma associação nacional de criadores?

Fraga: O Brasil é membro da InternationalBeef Alliance, uma aliança de 7 países exportadores de carne, ao lado de Paraguai, México, Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos e Canadá, responsáveis por metade da produção e por 75% da exportação mundial de carne bovina.O único país que não possui uma associação nacional é o nosso. Hoje, o Brasil é representado pela Acrimat, mas sabemos que falta uma associação para representar a pecuária tanto internacionalmente, quanto junto ao Governo Federal.

Como a Acripará será financiada?

Fraga: No começo contamos com doações e com uma anuidade de valor fixo para todos os associados, mas, baseado no modelo da Acrimat, queremos a criação de um fundo para financiar nossas atividades. Como o dinheiro do fundo deve vir de uma porcentagem das GTAs, a contribuição vai ser proporcional ao número de cabeças vendidas pelo pecuarista.

Quais principais desafios para o pecuarista do Estado?

Fraga: Um dos maiores desafios é melhorar a imagem da carne paraense, erroneamente ligada ao desmatamento ilegal. Precisamos desfazer esse mito. No mundo todo, em praticamente todas as áreas que existe produção agropecuária, com pessoas morando e desenvolvendo suas atividades, houve modificação na vegetação nativa. No Pará não foi diferente. As exigências dos órgãos ambientais no Pará são maiores do que em todos os outros estados, e os produtores vêm se empenhando em fazer sua regularização ambiental, somos o estado recordista em áreas cobertas pelo CAR (Cadastro Ambiental Rural).

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