Membros da Academia Nac. de Agricultura

“Feliz é o país que tem a ministra Izabella Teixeira, no Meio Ambiente, e a ministra Kátia Abreu, na Agricultura”, disse o presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Antonio Alvarenga, antes de entregar o colar de novo membro da Academia Nacional de Agricultura à Izabella Teixeira. A cerimônia foi realizada em São Paulo, no último dia 19 de novembro, e contou com a presença de várias personalidades importantes do agronegócio brasileiro.

“A ministra Izabella Teixeira tem, de sobra, bom senso, equilíbrio e conhecimento técnico; se não fossem ela e o ministro Aldo Rebello, o Código Florestal, que atende tanto os interesses dos ambientalistas quanto o interesse dos agricultores, ainda estaria empacado”, afirmou Alvarenga. Leia declarações da ministra Izabella Teixeira em sna.agr.br/?p=26866.

Outros membros, que passaram a integrar o time de pensadores da Academia, foram Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Eliseu Alves, ex-presidente da Embrapa; João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp); Gustavo Diniz Junqueira, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB); Walter Horita, presidente do Grupo Horita, e Paulo Protásio, diretor da SNA e presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

Ao iniciar a reunião para dar posse aos novos membros da Academia, Alvarenga teceu algumas considerações sobre o cenário atual brasileiro.

“Estamos em meio a uma crise extraordinária, que foi construída pelo próprio governo, com uma infinidade de programas sociais, desonerações aleatórias, inchaço da máquina pública e outros desacertos”, ressaltou.

“Queremos um governo com austeridade e eficiência. Não aceitamos mais impostos, pois eles destroem a capacidade do setor privado de produzir riqueza. O Custo Brasil já é muito elevado”, ponderou.

 

 

Antonio-Alvarenga21-640x427

 

Alvarenga afirmou que o agronegócio tem um papel fundamental na solução da atual crise, pois é o único setor que tem apresentado um desempenho consistente. “A saída (para a crise) está no agronegócio e nas exportações. Nossa ministra incansável (Kátia Abreu) está no exterior, vendendo o Brasil, na Rússia, nos países árabes e na China; vamos exportar mais e nosso objetivo deve ser exportar com maior valor agregado”, enfatizou.

ALEGRIA

“Gostaria, primeiro, de manifestar a alegria por me tornar membro desta academia, de estar aqui e contribuir para uma nova fase da agricultura brasileira, mas principalmente, de estar junto com vários amigos e cúmplices. Segundo, quero destacar o fato de estar ocupando a cadeira do almirante Ibsen de Gusmão Câmara que foi, junto com o dr. Paulo Nogueira Neto, os dois mestres da minha carreira pública”, comemorou a ministra Izabella.

De acordo a ministra, o almirante foi mais do que uma fonte de inspiração, foi um amigo e, mesmo já muito velho e doente, ainda fazia referência aos desafios e à visão do futuro do Brasil, e a agricultura estava nessa visão, com menções objetivas de como deveria se proteger a biodiversidade no Brasil.

Ministra-Izabella-Teixeira5-640x499

RELEVÂNCIA

“Estamos empossando pessoas de grande relevância e impacto positivo para a nossa sociedade”, disse o presidente da Academia Nacional de Agricultura, da SNA, e da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Carvalho, mais conhecido como Caio Carvalho.

Segundo ele, que ressaltou a importância da presença da ministra Izabella Teixeira no evento, em especial por causa da reunião de Paris (a COP 21), a Academia está definindo um sistema de trabalho para ter participação mais efetiva nas discussões do agronegócio.

“Atuamos no maior trabalho da terra, que é a agricultura e, sem dúvida alguma, ampliar a oferta de alimentos e de energias renováveis, de uma forma sustentável, é, de fato, a grande missão que destaca o Brasil em relação a outros países do mundo.”

Caio Carvalho lembrou que 10% do País corresponde à área urbana, 30% à área rural e 60% a florestas. “O Brasil é um país diferenciado e nós temos dificuldade de mostrar, internamente e externamente, essa grandeza”, ilustrou.

“O domínio da tecnologia tropical é uma característica do Brasil; os países que competem conosco, em sua maioria, ou são do mundo temperado ou, se são do mundo tropical, fizeram uma adaptação da tecnologia do mundo temperado para a realidade tropical”, comparou o presidente da Academia.

Neste sentido, ele também destacou a presença do dr. Eliseu Alves, “porque ele representa o início do processo da mais importante mudança que ocorreu no País, que que foi a busca da tecnologia tropical, dominando o cerrado e o manejo do solo de uma forma extraordinária, com respostas no nível de variedade ou de produção de grãos, fibras, açúcar, álcool, com alta produtividade, nos seus variados biomas”.

Luiz-Carlos-Carvalho1-640x427

TRABALHO INTEGRADO

Já Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura de São Paulo, citou alguns aspectos importantes do pronunciamento da ministra Izabella. “Substituímos, há tempo, a convergência por uma disposição de trabalho integrado, o que tem um profundo simbolismo no que disse a ministra”, comentou e lembrou que “o mais extraordinário” programa de combustível renovável do mundo é o do Brasil, a partir do etanol.

“Podemos ir de cabeça erguida para Paris, por sermos um exemplo de agricultura sustentável, até porque a revolução causada pelo plantio direto, do ponto de vista de preservação, já valeria todo o protagonismo que o Brasil possa desempenhar”, analisou.

Além disso, Jardim afirmou que o País está trilhando um novo caminho, com a integração lavoura-pecuária-floresta, que vai abrir um rol de referências do ponto de vista do manejo da produção e de sistemas para aumentar a produtividade.

Uma questão que pode vir a ser um problema e que é preciso ser debatida, em sua opinião, é a dos agrotóxicos e dos agroquímicos. “Podemos ter uma racionalização no uso desses produtos, mas ir por um caminho onde se possa prescindir dos mesmos é totalmente desatualizado. Temos que preconizar o que disse a ministra Izabella, produção com proteção.”

Arnaldo-Jardim1

PRIVILÉGIO

Em seu pronunciamento, o ex-presidente da Embrapa Eliseu Alves fez um resumo sobre a sua trajetória no setor e destacou o privilégio de estudar nos Estados Unidos. Na época, disse ele, se pensava que a agricultura não ia bem por falta de conhecimento e de ciência, pois havia muito conhecimento em países de agricultura temperada, mas de agricultura tropical não existia.

Alves contou que teve a oportunidade de conviver com grandes pensadores, nos EUA, como o professor Schultz, que foi prêmio Nobel. “Ele e muitos outros me ensinaram uma coisa: trate de pensar, não trate de copiar; o que tem de mais importante aqui nos americanos é a vontade e a determinação em buscar coisas novas”, aconselharam.

De volta para o Brasil, ele integrou um grupo para entender porque, apesar de ter um bom programa de extensão e de crédito rural subsidiado, a produtividade de agricultura brasileira não aumentava. “Chegamos à conclusão de que o que faltava era uma boa instituição de pesquisa agrícola, e, em dezembro de 1972, nascia a Embrapa”, resumiu.

Como tínhamos um bom orçamento, estabelecido pelo então ministro da Fazenda, Delfim Netto, mandamos, vários pesquisadores estudarem nos EUA, Japão e Europa; isso contribuiu para a nossa agricultura ser hoje o que é, graças aos nossos agricultores, à Embrapa e à ciência.”

Eliseu-Alves

INOVAÇÃO

“Dr. Eliseu falou com propriedade que a agricultura brasileira é um dos poucos setores da economia desse país que, de fato, fez diferente e buscou acertar, via inovação”, disse Gustavo Diniz Junqueira, presidente da SRB, ao tomar posse como novo membro da Academia.

Na visão de Junqueira, a Academia é um espaço para juntar pessoas. “Temos que trazer os profissionais do Ministério do Exterior para discutir como vamos colocar os produtos brasileiros e como os mesmos serão incorporados à agenda e ao cardápio dos consumidores mundiais”, sugeriu.

Em sua opinião, o Brasil tem condições de produzir o volume que for, com mais ou menos devastação. “A gente tem o controle fino da produção, além de capacidade de atacar os problemas que aparecem a toda safra, sejam pragas, sejam problemas governamentais ou transtornos de toda natureza.”

Por outro lado, ele comentou a colocação da ministra sobre como administrar a questão ambiental e integrar a preservação do ambiente e o ecossistema brasileiro. “Estes dois pilares estão bem administrados e bem endereçados; a gente tem entendido e saído na frente da comunidade mundial, para produzir de uma maneira diferente, para tentar inovar, mas o que me preocupa é que isso tem um custo muito grande”, ponderou.

“Temos a maior certificação, que é Código Florestal Brasileiro, portanto, o papel do Brasil, agora, é vender o que estamos fazendo aqui, afinal, nenhum outro lugar do mundo precisa dedicar parte do seu patrimônio para a sociedade mundial. Temos que vender o conceito de reserva legal e de APP para os outros países.”

 

 

 

Gustavo-Junqueira2

CONSTRUÇÃO DAS RIQUEZAS

“Temos de agradecer à Sociedade Nacional de Agricultura, que foi fundada em 1897, e também ao pessoal que trouxe o café que construiu a riqueza desse País, a infraestrutura das estradas de ferro, a revolução do Nelore, a revolução do cerrado, a tecnologia do capim e tantos outros feitos que ajudaram aumentar a produção brasileira”, ressaltou João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp.

Para ele, a Academia Nacional de Agricultura é muito relevante porque o Brasil está começando descobrir, agora, graças à balança de pagamento, que a agricultura é importante.

“A ideia de criar uma academia, um centro de pensamento, com esses homens valorosos, é fundamental para desmistificar tanta besteira e preconceito a respeito da agricultura, inclusive publicados nos livros didáticos”, comentou.

Guilherme-Ometto

CONVERGÊNCIA

Paulo Manuel Protásio, diretor da SNA e presidente da Associação Comercial do Estado do Rio de Janeiro (ACRJ), destacou o papel da Academia no sentido de criar um mote, no próximo ano, entre o urbano e o rural, e fazer com que essa convergência venha beneficiar as competências.

“As cidades brasileiras estão necessitadas dessa relação, até porque, no futuro, 95% das populações serão urbanas; o que vai ficar no campo é o essencial para termos um segmento produtivo de alta qualidade”, ilustrou.

“Se eu pudesse, converteria isso para uma necessidade política, mas vou deixar algo para se pensar: não há conserto para o País de cima para baixo e, até 2018, esqueçam Brasília; mas há um conserto extraordinário para o Brasil, de baixo para cima”, pontuou.

De acordo com Protásio, o desafio do Brasil, em termos de logística, continua e pouca coisa foi implementada. Nesse sentido, ele lembra que o PNLT (Plano Nacional de Logística e Transportes) surgiu há dez anos, as prioridades são conhecidas e todos os gargalos são monitorados.  “Temos tudo para integrar o Brasil a uma cadeia produtiva mundial, falta apenas fazer, empreender e, agora, com uma absoluta coerência da tecnologia”, sugeriu.

Paulo-Protasio-640x427

ORGULHO

“Ter assento na Academia Nacional de Agricultura, junto a personalidades que compõem a inteligência do agronegócio brasileiro, é motivo de orgulho para mim; recebo essa incumbência com humildade e lhes asseguro que, de longe, é a de maior importância e maior responsabilidade entre todas que recebi”, ressaltou Walter Horita.

Segundo ele, na Academia estão os mais notáveis protagonistas da revolução verde brasileira, cada um na sua área, cada um na sua competência, mas todos dando a sua contribuição para a construção do País.

“Sinto-me muito honrado de estar representando a minha família e o agricultor brasileiro que, com muito arrojo, transformou o oeste baiano”, disse. “Espero, aqui, dar voz aos meus pares desta região produtora nas discussões que balizarão as políticas públicas no futuro.”

 

Walter-Horita

 

CAPACIDADE PRODUTIVA

Também presente ao evento, em seu pronunciamento, o secretário e acadêmico João Carlos de Souza Meirelles ressaltou a importância do que a Academia pode fazer. E afirmou que um dos temas centrais, que precisa estar sempre sendo discutido, é a capacidade que o Brasil tem de produzir, e que possui todas as condições necessárias.

“Somos um país gigantesco, com variações edafoclimáticas que comportam quaisquer tipos de produção, temos a consciência preservacionista incorporada ao processo, ou seja, possuímos todas as ferramentas para nos debruçarmos no conceito moderno de cadeias produtivas; mas de nada adianta produzirmos uma espetacular colheita, se não agregarmos valor”, argumentou Meirelles.

Joao-Carlos-Meirelles

Finalizando a reunião de posse dos novos membros, o presidente da Academia Nacional de Agricultura/SNA, Caio Carvalho, afirmou que estabeleceu, em conjunto com o presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Antonio Alvarenga, a ideia de montar uma agenda com todos os acadêmicos para debater o Brasil e como é que a Academia pode ser, de fato, protagonista na história do agronegócio no mundo.

“Vamos discutir muito, o tempo todo, a visão do protagonismo, o comando para o processo de expansão de oferta, em uma lógica de sustentabilidade”, salientou. “A ministra Izabella, por exemplo, se posicionou aqui e eu gostaria de assinar embaixo, como um discurso meu. E não é isso que a gente sente na visão do governo atual, mas, sim, na visão dela, parabéns”, arrematou.

 

Por equipe SNA/SP

 

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com